terça-feira, 11 de outubro de 2011

Cultura indígena é tema de exposição no Museu da UFRGS


Está aberta à visitação no Museu da UFRGS a exposição “Oretataypy: presença mbya-guarani no Sul e Sudeste do Brasil”. Com entrada franca, a mostra pode ser conferida de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. Com a mostra, os visitantes têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a perspectiva mbya-guarani em relação ao mundo, sua cosmologia e como isso se reflete em suas atividades cotidianas.

A exposição é fruto de uma parceria do Museu com o Núcleo de Políticas Públicas para os povos indígenas da Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Urbana da Prefeitura Municipal de Porto Alegre (PMPA) e Museu do Índio do Rio de Janeiro. Com a mostra, os visitantes têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a perspectiva mbya-guarani em relação ao mundo, sua cosmologia e como isso se reflete em suas atividades cotidianas. As atrações serão divididas em dois eixos principais: “Nossas moradas – Os Mbya no Rio Grande do Sul” e "Tape-Porã, impressões e movimento – Os Mbya no Rio de Janeiro".

Compõem o eixo “Nossas moradas – Os Mbya no Rio Grande do Sul”, a exposição “Os seres da mata e sua vida como pessoas” e a instalação “Casa Mbya-Guarani”, que será inaugurada em 16 de novembro. “Os Seres da mata e sua vida como pessoas” é formada com obras do acervo de arte das culturas indígenas da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana de Porto Alegre, e fotografias de Vherá Poty e Danilo Christidis. Estes objetos revelam narrativas mitológico-poéticas sobre a origem dos animais que na visão cosmológica Mbyá são compreendidos como humanos. Neste espaço, também será exibido o vídeo de mesmo nome produzido em 2010 pela PMPA com os Mbyá e colaboração de antropólogos da UFRGS.

Já “Tape-Porã, impressões e movimento – Os Mbya no Rio de Janeiro”, conta com cerca de 60 peças de arte mbya-guarani, além de fotos e vídeos. O visitante é convidado a percorrer três ambientes: as matas, a casa da eterna alegria e um ambiente reservado à prática de produção de cestarias. Nesse trajeto serão encontradas esculturas de animais em madeira, armadilhas para caça e pesca, instrumentos de prática religiosa e peças de artesanato utilizadas como meios de subsistência. (Foto: Elisa Bortolini)

O QUE: Exposição “Oretataypy: presença mbya-guarani no Sul e Sudeste do Brasil”
QUANDO: Aberta à visitação
HORÁRIO: das 9h às 18h
ONDE: Museu da UFRGS (Av. Osvaldo Aranha, 277 – Campus Centro)
QUANTO: Entrada franca
INFORMAÇÕES E AGENDAMENTO DE VISITAS: Telefones: 3308.4022 e 3308.3390 - Email: museu@museu.ufrgs.br - Site: www.museu.ufrgs.br

No próximo dia 14, sexta-feira, o Núcleo de Estudos Japoneses do Instituto de Letras realiza, em parceria com o Consulado do Japão em Porto Alegre, a palestra “O Teatro Tradicional do Japão: uma visão panorâmica de sua história, evolução e função social”. O evento tem entrada franca e começa às 19h30min, na sala 101 da Faculdade de Educação da UFRGS.




A palestra faz um painel a respeito das tradições do teatro japonês. Abordando os aspectos da história, evolução e função social, a conferência busca proporcionar ao espectador alguns conhecimentos sobre o teatro tradicional da cultura japonesa.

O ministrante é o professor aposentado do IL Paulo W. Gick, consultor cultural do consulado japonês e fundador do grupo teatral Yume-ga-Hara, pioneiro na implantação do teatro tradicional japonês no Brasil, com peças adaptadas à língua portuguesa.

O QUE: Palestra “O Teatro Tradicional do Japão: uma visão panorâmica de sua história, evolução e função social”
QUANDO: 14 de outubro – sexta-feira
HORÁRIO: 19h30min
ONDE: Sala 101 da Faculdade de Educação (Av. Paulo Gama, s/nº - Campus Centro)
QUANTO: Entrada franca
INFORMAÇÕES: Telefone: 3334 1299

domingo, 28 de agosto de 2011

Direitos Humanos - Imagens do Brasil


A exposição “Direitos Humanos – Imagens do Brasil”, que reúne imagens históricas relativas à batalha pelos direitos humanos, está aberta para visitação até o dia 16 de setembro. Instalada no Museu da UFRGS, a mostra pode ser conferida de segunda a sexta, entre 9h e 18h.

O evento é fruto do livro de mesmo nome lançado no ano passado em 10 de dezembro, Dia Internacional da Luta pelos Direitos Humanos e ocasião que também marcou a inauguração inicial da mostra, na cidade de Belo Horizonte - MG. O livro, que conta com dois ensaios curtos, empresta 60 das suas 165 imagens para a exposição. São imagens jornalísticas históricas e inéditas, contextualizadas através da história, que contam a trajetória da luta pela conquista dos direitos humanos no país.

A “Direitos Humanos – Imagens do Brasil” já esteve em Salvador, Aracaju, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, Brasília e, depois de Porto Alegre, ainda passará por mais três cidades brasileiras. Com patrocínio da Petrobras e apoio da UFRGS, a exposição tem curadoria de Denise Carvalho e do historiador e jornalista Gilberto Maringoni, também responsável pelos textos. O objetivo é fortalecer, perante o público, o chamado “direito à memória e à verdade” em países que, como o Brasil, entre os anos 1960 e 1980, passaram por uma interrupção da vida institucional, com a instalação de ditaduras.


(extraído do site do D.D.C. da UFRGS)

O QUE: Exposição Direitos Humanos – Imagens do Brasil
VISITAÇÃO: até 16 de setembro
HORÁRIO: de segunda a sexta, das 9h às 18h
ONDE: Museu da UFRGS (Av. Osvaldo Aranha, 277 – Campus Centro)
QUANTO: Entrada franca
INFORMAÇÕES: Telefone: 3308 3390 ou 3308 3159 – E-mail: museu@museu.ufrgs.br – Site: www.museu.ufrgs.br


http://www.ufrgs.br/comunicacaosocial/agendao/exposicao.html#direitoshumanos

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

CINEDEBATE DIREITOS HUMANOS



Durante todo este ano ocorreram exibições de filmes na Sala de Cinema Redenção (localizada no coração do Campus Central) seguidas de debates com professores. Os temas discutidos são sempre encarados sob o prisma da luta pelos Direitos Humanos e por suas contradições. A entrada é gratuita e esta lista são as próximas exibições.




Mais informações:


















21/9 - DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA







Drama, 1957, 96 min. EUA Direção: Sidney Lumet Com Henry Fonda, Martin Balsam, Jack Warden

Doze jurados evem decidir se um homem é culpado ou não de um assassinato, sob pena de morte. Onze têm plena certeza que ele é culpado, enquanto um não acredita em sua inocência, mas também não o acha culpado. Decidido a analisar novamente os fatos do caso, o jurado número 8 não deve enfrentar apenas as dificuldades de interpretação dos fatos para achar a inocência do réu, mas também a má vontade e os rancores dos outros jurados, com vontade de irem embora logo para suas casas.









19/10 - BUDRUS







Documentário, 2010, 70 min. Israel/EUA/Palestina Direção: Julia Bacha Com

Budrus é um vilarejo localizado na fronteira entre a Cisjordânia e Israel, onde em 2003 foi realizado um protesto não-violento. A causa foi o anúncio da construção de um muro pelos israelenses, o qual destruiria oliveiras históricas e economicamente importantes para a comunidade. Ayed Morrar e sua filha estavam à frente do movimento, que conseguiu unir facções palestinas rivais, como o Fatah e o Hamas, e ainda judeus progressistas.







16/11 - OS DOZE MACACOS







Ficção científica, 1995, 129 min. EUA Direção: Terry Gilliam
Com Bruce Willis, Madeleine Stowe, Joseph Melito, Joey Perillo Globo de Ouro melhor ator coadjuvante

No ano de 2035, James Cole aceita a missão de voltar ao passado para tentar decifrar mistério envolvendo vírus mortal que levou à morte da maior parte da humanidade. Tomado como louco, no passado, ele tenta provar sua sanidade a uma médica, sua única esperança de mudar o futuro.






21/12 - FELIZ NATAL





Drama, 2005, 94 min. França/Alemanha/Reino Unido/Bélgica/Romênia Direção: Christian Carion Com Diane Kruger, Daniel Brühl, Benno Fürmann

Na época de Natal, durante a Primeira Guerra Mundial, os alemães, franceses e escoceses estão tentando manter a paz. Eles enterram seus mortos e vão jogar futebol.





UNIMÚSICA 2011

É bom aproveitar as atrações do UNIMÚSICA, que está comemorando 30 anos de espetáculos em 2011. Já estiveram no palco do unimúsica este ano músicos como Zélia Duncan e Vitor Ramil, os ingressos (cujo valor é um 1kilo de alimento não perecível) podem ser reirados no Salão de Atos.




Maiores informações no site do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS:










As atrações do fim de agosto(31/8) e de setembro(1/9) são:




Egberto Gismonti (http://pt.wikipedia.org/wiki/Egberto_Gismonti) e a orquestra de Câmara do Teatro São Pedro e no show serão interpretadas peças orquestrais como Sertão Veredas, Memória e Fado e a Fala da Paixão.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Circulo Universitário de Integração e Cultura (CUIC) divulga a programação de Julho


Caso a imagem não esteja legível, basta clicar nela e a imagem será ampliada.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Desigualdades Sociais em debate

Conversa de Tambores

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Direitos Fundamentais em Tela

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Evento Guarani na Universidade

Convite para o Tendiguete i
O Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, a aldeia do Lami, a aldeia da Lomba do Pinheiro e o Diretório Acadêmico de Ciências Econômicas Contábeis e Atuariais (DAECA) convidam a todos para o dia de comemorações Tendiguete i (culinária típica guarani), a ser realizado no dia 10 de juho.
A programação consta da defesa de mestrado sobre os Mbyá Guarani na região metropolitana de Porto Alegre; um almoço por adesão com a culinária guarani, regada a música guarani e exposição de artesanatos e o painel “Etnodesenvolvimento e a questão guarani”.
Nesta ocasião será divulgada a carta elaborada durante o Encontro de Saberes Tradicionais Yva’a ("Frutos da Terra"), fruto das discussões do Conselho de Caciques Mbyá-Guarani que debateram questões como a luta por terras, políticas públicas, segurança alimentar e qualidade de vida.
A programação também tem por finalidade arrecadar recursos para implantar a luz na aldeia do Lami, cujo acesso é um direito de todos.
Esta atividade integra o projeto Fortalecimento das Agroflorestas no RS: formação de rede, etnoecologia e segurança alimentar e nutricional (CNPq), realizado por DESMA/PGDR/UFRGS e EMATER-RS, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM). Tem o apoio do PLAGEDER e do Grupo Viveiros Comunitários.
PROGRAMAÇÃO DIA 10 DE JUNHO
9h Defesa da dissertação: "Avaliação da adequação das políticas públicas ao mbyá reko (modo de ser guarani) na região metropolitana de Porto Alegre: uma discussão sobre o etnodesenvolvimento".
Mestranda Marcela Meneguetti Baptista
Local: Faculdade de Ciências Econômicas, sala 21
12h - Almoço Tendiguete i
Valor: Estudantes: R$10,00
Pós-graduandos: R$15,00
Público em geral: R$25,00
Confirmar adesão até do dia 09 de maio às 12h, pelo mail: aguilar.florestal@gmail.com
Local: Sala Multieventos, PGDR
15h - Painel Etnodesenvolvimento e a questão Guarani na região Metropolitana de Porto Alegre
Local: Sala Josué de Castro, PGDR
Palestrantes:
Ricardo Verdum: Da pobreza ao etnodesenvolvimento: afinal, do que estamos falando?
Cacique Cirilo Morinico: Os Guarani na região metropolitana de Porto Alegre

domingo, 8 de maio de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Filmes à disposição

Este blog possui uma dvdoteca imensa, com a possibilidade de baixar para poder assistir. Fica a recomendação, lembrando que é sempre importante tentar traduzir os problemas e conceitos de sala-de-aula em uma linguagem comum, função que o filme consegue contemplar como nenhuma outra obra de arte.


eis o link do blog www.laranjapsicodelica.blogspot.com

terça-feira, 26 de abril de 2011

Abril Indígena no Centro Cultural Érico Veríssimo


Temos o prazer de convidá-los (as) para a exposição “Kadiwéu • Ofayé • Urubu-Ka’apor – Os Índios de Darcy Ribeiro", a ser realizada de 27/04 a 02/06 no Centro Cultural Erico Veríssimo, sala Memorial Erico Veríssimo (Rua dos Andradas, 1223 – Porto Alegre – RS) e demais atividades do Abril Indígena do MARS.








quinta-feira, 14 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Francisco Ferrer

Livro de Francisco Ferrer, sobre a escola Moderna:

http://www.antorcha.net/biblioteca_virtual/pedagogia/escuelamoderna/indice.html

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Encontro discute a utilização de blog no ensino de História

A área de ensino de História da FACED vai promover uma aula-debate
sobre o tema Informática na Educação: o uso de blogs no ensino de história.

Súmula: discutir o atual estágio de inclusão digital na Educação,
desmistificando os supostos 'obstáculos' ao trabalho com informática
na Educação Básica, analisando o caso específico das possibilidades
proporcionadas pelos blogs. Objetiva incentivar o uso das novas TICs
(tecnologias de informação e comunicação) na Educação Básica.

A exposição principal será feita pelo Prof. Rafael Souza Gonçalves,
ex-aluno do curso de História da UFRGS, autor de um livro sobre o
tema, que estará à venda no dia do evento. Para debate, teremos a
presença de outros ex-alunos, que tem trabalhado ou feito incursões no
uso dos ambientes virtuais em ensino de história ou educação em geral.



Dia 12 de abril, terça feira


Manhã: 8h30min às 11h


Noite: 18h30min às 21h


Local: sala 101 FACED (auditório andar térreo)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Memória, verdade e justiça: as marcas das ditaduras do cone sul


Ciclo de Cinema e História

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
DEPARTAMENTO DE DIFUSÃO CULTURAL
“VIDA É JOGO, JOGO É HISTÓRIA! ESPORTE E CIVILIZAÇÃO”
Ciclo De Cinema, História e Educação
CESAR AUGUSTO BARCELLOS GUAZZELLI
CHARLES SIDARTA MACHADO DOMINGOS
JOSÉ ORESTES BECK
RAFAEL HANSEN QUINSANI
Organizadores
16/4 1) Camelos, carneiros e cavaleiros: civilização ou Barbárie?
Os cavaleiros do Buskashi (The Horsemen). 1971.
Comentadores: Cesar Augusto Barcellos Guazzelli e José Rivair Macedo
30/4 2) Boxe, Guerra Fria e Rocky Balboa: a ideologia e o golpe numa era.
Rocky IV 1985.
Comentadores: Fatimarlei Lunardelli e Charles Sidarta Machado Domingos
07/5 3) Por trás das linhas de cal surge os caminhos do nacionalismo alemão: passado, presente e futuro pelo cinema.
O Milagre de Berna (Das Wunder von Bern). 2003.
Comentadores: Gerson Fraga e Maurício Borsa
14/5 4) A classe operária ‘não’ vai ao paraíso: o futebol no mundo globalizado.
A procura de Eric (Looking for Eric) 2009.
Comentadores: Luis Augusto Fischer e Rafael Hansen Quinsani
21/5 5) “Os seus, os meus os nossos”: mito, esporte e os ídolos na vida cotidiana.O caminho de San Diego (El camino de San Diego). 2005.Comentadores: Arlei Damo e Álvaro Klafke
28/5 6) As cores da civilização: EUA, que país é este?
Homens Brancos Não Sabem Enterrar (White Men Can’t Jump). 1992.
Comentadores: Nilza Silva e Walter Güinter Lippold
04/6 7) A inocência da civilização: o esporte na Belle Époque.
Carruagens de fogo (Chariots of fire). 1981.
Comentadores: Carla Brandalise e Miguel Stédile
11/6 8) O medo do esporte: os descaminhos da civilização
Munique (2005).
Comentadores: Christian Karam e Diorge Konrad
18/6 9) “Invicto mas inacabado”: esporte e Apartheid na África do Sul
Invictus (Invictus). 2009.
Comentadores: Luiz Dario Teixeira Ribeiro e Jéferson Garcia
25/6 10) A disputa no(do) futuro: civilização ou Barbárie?
Rollerball – Os Gladiadores do Futuro (Rollerball). 1975.
Comentadores: Cesar Augusto Barcellos Guazzelli e José Orestes Beck
Sala Redenção - Cinema Universitário - UFRGS
De 16 de Abril a 25 de junho de 2011
Sábados às 15h:30min.Curso de Extensão + Certificado R$ 20,00Inscrições: dia 15/04, das 17 h as 20h e Sábado dia 16/04 a partir das 14 hNo Salão de Atos da UFRGS
Visite nosso blog e confira diversas atrações:http://www.ciclohistoriacinemaesporte.blogspot.com/

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

História da África


A Unesco desenvolveu uma série de livros sobre a história geral da África para auxiliar na elaboração de aulas de história.


No link abaixo segue os volumes para download e visualização:

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

História Social da Criança e da Família

História Social da Criança e da Família

Infância: Ariés mostra o conceito ou a ideia de que se tem da infância, que foi sendo formado ao longo dos séculos, e que durante muito tempo a criança foi vista como um ser adulto em miniatura, que não se desenvolvia e não possuía características e desejos próprios.

O sentimento da infância teria surgido apenas na Modernidade. A criança seria vista como substituível, como um ser produtivo que seria útil para a sociedade, pois a partir dos sete anos de idade era inserida na vida adulta e tornava-se útil e presente na economia familiar, realizava tarefas, igual aos seus pais, acompanhava- os em seus ofícios, e cumpria, então, seu papel perante a sociedade.

Ariés relata a história de que as crianças eram tratadas verdadeiramente como adultos, tinham a mesma maneira de vestir-se e participavam de reuniões e festas. Os adultos falavam coisas impróprias para as crianças, faziam brincadeiras grosseiras e também conversavam sobre vulgaridades. Todo e qualquer tipo de assunto era debatido na frente dos pequenos que, até mesmo participavam de jogos sexuais. Tudo isso ocorria porque não acreditavam que houvesse diferenças nas características entre adultos e crianças.

Primeira idade: de 0 a 7 anos. Chamada de Enfant que significa não-falante, pois nessa a idade a pessoa não fala bem e ainda não forma as palavras claramente, que pode ser analisada também pela palavra Infância, ou seja, do latim “in-fale”, que tem o mesmo significado.

Escola: A escola se tornou no início dos tempos modernos um meio de isolar e separar as crianças (que estavam no período de formação moral e intelectual) dos adultos. Na Idade Média as idades eram misturadas e inseridas num ambiente que não era favorável para aprendizagem.

Crianças e adultos, de 6 a 20 anos ou até mais, eram juntados num mesmo local, aonde havia um mestre que os ensinava. A indiferença pela diferença das idades dentro da sala passava despercebida porque o que importava e estava em vigor era a matéria dada e não a preocupação com a idade das pessoas. As aulas não tinham lugar fixo para serem realizadas, aconteciam nas salas e também em outros lugares, como na rua ou dentro da Igreja. Assim que a criança entrava para a escola, já era passada para o mundo adulto.

Questionamento de Philippe Ariés em relação a negligência com a preocupação da divisão das idades: “Mas como poderia alguém sentir a mistura das idades quando se era tão indiferente à própria idéia de idade?”. Indubitavelmente esse é um traço peculiar da antiga sociedade, ou melhor, de origem medieval – senão persistente enraizado na vida - para o paradigma de que a sociedade de hoje é um reflexo da anterior (ou do princípio).
No século XIII, os colégios eram asilos para estudantes pobres e no início do século XV, o mesmo se tornou instituto de ensino em que uma grande população foi submetida a uma hierarquia autoritária e que ensinava as artes, que foi modelo para as grandes instituições do século XV ao XVII. De uma simples sala de aula para um colégio moderno, sendo instituições que não tratavam apenas a questão do ensino, mas também de vigilância e enquadramento da juventude.

Essa mudança mostrou-se sensível em relação às diferenças das idades. Os alunos mais novos de gramática foram os primeiros a serem distinguidos, que se estendia até os maiores, que eram alunos de lógica e física, e ainda sim os pequenos estudantes não eram distinguidos como adultos.
O colégio sofreu alterações, primeiro ele era um meio de um pelo qual o jovem clérigo conseguiria uma vida honesta, e depois passou a condição imprescindível para uma boa educação, mesmo que fosse leiga.

O colégio, século XV e XVI ampliou-se, abriu-se a um número crescente de leigos, nobres, burgueses e também a famílias mais populares, e virou uma instituição essencial da sociedade: o colégio com um corpo docente separado, com uma disciplina rigorosa, com classes numerosas; constituía um grupo de idade maciço, alunos de oito - nove anos até mais de 15, submetidos a uma lei diferente da que governava os adultos.

No início do século XV, começou a ocorrer a divisão da população em grupos que tinham a mesma capacidade, e mais tarde passou a ter um professor especial para cada um desses grupos.
Do meio para o final do século XVII e século XVIII a política escolar passou a extinguir as crianças muito pequenas, tendo a precocidade de certas infâncias como algo aceitável. “A repugnância pela precocidade marca a primeira brecha aberta na indiferença das idades dos jovens”, implicando em um sentimento novo que distinguia uma primeira infância de uma infância propriamente escolástica. Isto é, as crianças de 10 anos eram mantidas fora do colégio.

Família: Cumpria uma função que era manter a transmissão da vida, dos bens e dos nomes, porém sem muita sensibilidade. Os mitos como, por exemplo, o amor cortês, ignoravam o casamento, enquanto as realidades como a aprendizagem das crianças enfraqueciam os laços afetivos entre os pais e seus filhos.

SÍNTESE

O livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre relata o que ocorreu no período colonial do Brasil. Visando a infância, são relatadas as diferenças entre as brancas, que eram mais exigidas, as negras, bastante presas e as indígenas, livres. A criança branca era tratada com certa liberdade enquanto pequena, após precisava tornar-se como adulta, utilizando suas roupas e portando-se seriamente.

As escolas, frequentadas pelos brancos, como informa o historiador Luccock não eram ventiladas, nem grandes, totalmente misturadas, todos realizavam suas atividades juntos, sem distinção de faixa etária. O Bispo Coutinho diz que o sistema escolar era extremamente eclesiástico, às vezes os negros podiam assistir às aulas. O professor era considerado como da alta classe, podendo, se necessário agredir ao aluno sem que isso lhe causasse problemas. Posteriormente, com o crescimento dos colégios, a criança foi humilhada, sofrendo abusos e explorações dentro dos internatos.

Com relação à família, o homem era tido como senhor, todos deveriam lhe obedecer, quem cuidava da criança era a ama-de-leite, uma negra ou mulata, que dava muita atenção a criança branca, sua relação era de mãe, tendo grande vínculo afetivo. A mulher ficava em casa realizando os afazeres domésticos. Havia um grande respeito na família, a intimidade era muito limitada.
Àries, em sua obra História Social da Criança e da Família, diz que no século XVI não se dava muita importância para a fase infantil, nas brincadeiras, trajes e rituais, a criança ficava junto, inserida ao mundo dos mais velhos. Informa também as modificações que essa ideia sofreu ao longo do tempo, que só na Modernidade surgiu o sentimento da infância.

A escola era indiferente a distinção das idades, pois seu objetivo não era a educação da criança. Na família, não se tinha um vínculo afetivo muito significativo, como ela era considerada adulta, a criança não possuía atenções exclusivas.
(Texto criado por Raquel Alves, estudante do 1º semestre do curso de Pedagogia)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A "vida escolástica" segundo Phillipe Ariès (História Social da Infância e da Família)



Philippe Ariés apresentou historicamente, no que diz respeito à escola medieval, a indiferença da idade dos meninos e homens e a falta da transição entre as fases. Logo depois, do século XV ao XVII, o colégio moderno atravessou os tempos como instituição de vigilância e enquadramento da juventude, de forma que a juventude escolar foi separada do resto da sociedade e, então, a distinção entre as idades foi se concretizando. Porém essa separação não atingia os jovens como crianças, e sim como estudantes: fora da escola eles tinham a obrigação de exercer funções de adultos.

As classes escolares surgiram como necessidade de adaptar o ensino do mestre ao nível do aluno (uma conscientização das diferentes fases da vida - infância ou juventude - e do sentimento de que no interior dessas fases existiam várias categorias). No século XVII e XVIII houve eliminação das crianças muito pequenas, que eram tidas como frágeis, “imbecis”, ou incapazes.

Como “progressos” da disciplina, Philippe Ariès aponta – exatamente pelo surgimento da noção de fraqueza na infância – a responsabilidade moral dos mestes, já que na Idade Média, não havia submissão a uma autoridade disciplinar, mas havia sentimento de pertencimento a uma sociedade ou a um bando de companheiros, isto é, jamais o estudante estava entregue a si mesmo.

Com as esferas da juventude escolar e da sociedade separadas, o castigo (chicote e espionagem) era adotado na escola, inicialmente no século XVI, como forma de autoridade e vigilância constante. No século XVIII, essa humilhação era adotada como forma de distinguir e, ironicamente, melhorar a infância.

Nos séculos XVII e XVIII, surgem as pequenas escolas que separavam as crianças novas das mais velhas e, sobretudo, as ricas das mais pobres e, assim, as pequenas escolas pregavam a moral que distinguia os estudantes, ou seja, os bem educados, dos “moleques” (antigos vagabundos e desordeiros).

Já no século XIX, surge uma nova concepção da educação, logo um novo sentimento da infância. Ocorreu o despertar na criança da responsabilidade do adulto e o sentimento de sua dignidade. Já as mulheres foram sempre excluídas da educação e apenas aprendiam afazeres domésticos.


Texto escrito por Naiana Tedesco, estudante do 1º semestre de pedagogia - FACED/UFRGS

sábado, 27 de novembro de 2010

“INFÂNCIA, COLÉGIO E FAMÍLIA”

História Social da Criança e da Família

Phelippe Ariés

Ariés, foca sua pesquisa no período do século XII até o sec. XVII, afirmando que a infância teve diferentes conotações em cada período da história, tanto social, cultural, política como economicamente. Na Idade Média ser criança era um período sem importância. Não havendo o amor materno, ao nascer o(a) Filho(a) era entregue a outra família que deveria cuidá-la e educá-la só retornando para casa aos sete anos, se sobrevivesse, pois com esta idade estaria apta para ser inserida na vida da família e no trabalho. A criança era vista como “substituível”, como ser produtivo, utilitária para a sociedade, inserida na vida adulta tornava-se útil na vida familiar, realizando tarefas e imitando seus pais, tendo a responsabilidade legal de cumprir seus ofícios junto à coletividade. A criança por muito tempo não foi vista como um ser em desenvolvimento, com características e necessidades próprias, e sim como “homens de tamanho reduzido” (P.18). Não havia a preocupação de cuidar e preservar as crianças, foram séculos de infanticídio, eram jogadas fora e substituídas por outra, sem sentimento algum, tinham a intenção de conseguir um espécime melhor, mais saudável, mais forte e apta para o trabalho. Na era medieval não havia a construção do sentimento de amor, o sentimento e a afeição não existiam ou eram sufocados. A trajetória da criança até então era de marginalização, discriminação e exploração.

No século XIV, devido ao grande movimento de religiosidade cristã, surge a criança mística ou a criança anjo. Essa imagem da criança associada ao Menino Jesus ou a Virgem Maria causa consternação e ternura nas pessoas. A representação das crianças místicas, pouco a pouco vai se transformando, assim como as relações familiares. Nessa época as crianças não tinham noção da idade que tinham, tendo nomes iguais. Para diferenciá-las, usava-se o nome do lugar de onde vinham, pois não tinham registro. Algumas Igrejas começaram a fazer registro de batismo e no século XVI a primeira comunhão se tornou uma grande festa familiar. Fato que ajudou a registrar a vida da criança para a história, além de exigir das famílias posturas de comportamento, evitando a postura perversa e imoral. Nesta época surgiram medidas para salvar as crianças. As condições de higiene foram melhoradas e a preocupação com a saúde da criança fez com que os pais não aceitassem perde-la com naturalidade. Essas mudanças com relação ao cuidado com a criança acontecem no século XVII com a interferência dos poderes públicos, da escola e com a preocupação da igreja em não aceitar passivamente o infanticídio, antes secretamente tolerado. Preservar e cuidar a criança seria trabalho realizado exclusivamente por mulheres, no caso, as amas e parteiras que agiriam como protetoras dos bebês, assim foi criada uma nova concepção sobre a manutenção da vida da criança. Essas mudanças começaram a acontecer no final da Idade Média e ficaram marcadas como o ato de mimar e paparicar as crianças – que eram vistas como meio de entretenimento dos adultos - principalmente nas classes elitizadas. A morte já passa a ser algo doloroso e sofrido.

São essas mudanças culturais, influenciadas por todas as transformações sociais, políticas e econômicas - que a sociedade sofre ao longo dos tempos - que fazem surgir mudanças no interior da família e das relações estabelecidas entre pais e filhos. A criança passa a ser educada pela própria família, o que fez com que se despertasse um novo sentimento por ela. Neste período entre o século XVII e XVIII com o surgimento deste sentimento de apego e afeto, a infância/criança passa a ser definida como um período de ingenuidade e fragilidade, que deve receber todos os incentivos possíveis para sua felicidade.

No século XVII, com o movimento de moralização, promovido pelas igrejas, pelas leis e pelo Estado, a educação da criança ganha destaque. A Escola passa a ser um instrumento para colocar a criança no seu lugar, com uma função disciplinadora. No inicio, não tem definição de idade específica para o ingresso da criança, pois as referencias que se tinha eram as escolas medievais que, não eram para crianças, mas escolas técnicas destinadas à instrução dos cléricos. Assim, acolhe crianças, jovens e adultos (fases consideradas na atualidade) da mesma forma. A escola era só para meninos, as meninas não recebiam nenhuma educação.

A diferença da escola moderna para a do período medieval é que houve a introdução da disciplina, a principal função da escola e que teve origem na disciplina religiosa, quando sua intenção era proporcionar conhecimentos técnicos e discursivos. Posteriormente a escola foi se diferenciando, tornando-se uma escola para a elite e outra para o povo, provocando com isso uma mudança nos hábitos decorrentes da condição social. “A família torna-se a célula social, a base dos estados, o fundamento do poder monárquico” (p.146). A religião torna-se a tutora moral, com a função de enobrecer a união conjugal, objetivando dar à familia um valor espiritual.

O que consegui absorver da obra de Ariés é que a infância como vemos hoje em dia foi sendo construída ao longo dos tempos, começando como uma “familia” voltada para a linhagem, onde a criança não tinha espaço (até os sete anos) sem laços de afeto, sem sentimento materno, os cuidados com a criança eram entregue a alguém que deveria educá-la. Com sete anos era considerado “igual” a um adulto com as mesmas responsabilidades - Isto não esta muito distante de países da África e da Ásia, onde a maioridade legal se dá antes dos 12 anos. Mais tarde, passaram os pequenos a ser considerados bibelôs, um divertimento para os adultos. Comparados a anjos são paparicados.

A igreja e o Estado intervêm junto à familia, designando que os pais cuidem de seus filhos, que preservem suas vidas, que tenham cuidados com eles, começando assim a ser construído o sentimento de infância. Laços, afetos e carinho, foram sentimentos que trocaram a indiferença total pelo apego e, a infância foi definida como um período de Ingenuidade e fragilidade. A partir dos registros de nascimento e do fortalecimento da união conjugal tutorada pela igreja, dando um valor espiritual à familia, surge uma nova ordem social com laços fortalecidos: a família conjugal. Mas outra vez a Igreja interfere e com sua função moralizadora, define um local específico para a criança ser educada e moralizada. A escola passa a ter uma função disciplinadora, sendo uma forma de afastar as crianças da má influencia dos adultos. Porém a igreja não esta organizada para recebê-las por ter como modelo as escolas da idade média que eram para adultos, para formação de cléricos e para os filhos dos nobres, que estudavam latim, doutrinas religiosas e táticas de guerra. Não conseguiu assim, separar de imediato a infância de outras fases, conseguindo apenas separar as escolas, em uma para elites e outra para os pobres que deveriam aprender a tudo obedecer sem revoltas. Deste modo a criança, apesar do sentimento de infância que surgia, continuava sem ter uma infância digna e respeitosa, com suas especificidades, continuava a ser uma marionete nas mãos dos poderosos. A escola que deveria proteger e educar “apenas a disciplinava” e as discriminava de acordo com se poder econômico – o livro ou filme Matilda, pode nos dar uma idéia de como as crianças eram tratadas naquela época. Situação semelhante a que vemos nos dias atuais onde quem pode frequenta escolas particulares, instituições onde, os de menor poder aquisitivo ganham bolsas de estudo (fato exigido pelo governo que tem poder mesmo junto a entidades particulares, ditando regras) – mas sem o poder aquisitivo são discriminados, ou assim se sentem. Os demais vão para a escola pública, que é gerida e controlada por um estado que objetiva manter e garantir seus interesses. A “escola” pública, gratuita e obrigatória foi criada a partir da observação do estado, do potencial político e social que essa instituição tinha.

O colégio foi instituído por Romanones, que era partidário da separação entre a “Igreja” e o “Estado”. A “Ley Del Candado de 1910, instituída pelo presidente espanhol Jose Canalejas, limitou o poder da igreja sobre o estado e Romanones converteu professores em funcionários do Estado (públicos). E assim os professores continuam até os dias de hoje.

Pedro A. Ruiz Lalinde

IES “Marqués de la Ensenada”

Haro

La Ley del Candado

“Don Alfonso XIII, por la gracia de Dios y la Constitución, Rey de España. A todos los

que la presente vieren y entendieren, sabed que las Cortes han decretado y Nos

sancionado lo siguiente:

ARTÍCULO ÚNICO: No se establecerán nuevas Asociaciones pertenecientes a Órdenes

o Congregaciones religiosas canónicamente reconocidas, sin la autorización del

Ministerio de Gracia y Justicia consignada en Real Decreto, que se publicará en la

‘Gaceta de Madrid’, mientras no se regule definitivamente la condición jurídica de las

mismas.

No se concederá dicha autorización cuando más de la tercera parte de los individuos que

hayan de formar la nueva Asociación sean extranjeros.

Si en el plazo de dos años no se publica la nueva ley de Asociaciones, quedará sin

efecto la presente ley.

Por tanto: Mandamos a todos los Tribunales, justicias, jefes, Gobernadores y demás

autoridades, así civiles como militares y eclesiásticas, de cualquier clase y dignidad, que

guarden y hagan guardar, cumplir y ejecutar la presente Ley en todas sus partes.

Yo El Rey El Presidente del consejo de Ministros, José Canalejas “

Gaceta de Madrid, nº 362, 28 de diciembre de 1910.

Casa Grande & Senzala

.Gilberto Freyre

Gilberto Freyre nos fala do período colonial brasileiro (mais especificamente do nordeste). Aqui vigorava o regime da Familia patriarcal, onde os senhores tudo podiam e mulheres, filhos e escravos tudo obedeciam. Inicialmente vou comentar a família indígena, onde os homens eram responsáveis pela caça e pela pesca e o serviço braçal era feito pelas mulheres, assim como cabia a elas o cuidado e a educação dos filhos. As crianças indígenas eram limpas e asseadas, brincavam de dar cabeçada em bola de borracha, de imitar animais. As crianças aprendiam tudo com os adultos, através da prática, pois como na Europa medieval, conviviam no meio deles – os meninos na puberdade eram levados para o baíto, a casa secreta dos homens, onde passavam por provas de iniciação à fase adulta. A mulher ameríndia teve grande importância econômica no período de colonização, era ela quem plantava, colhia e preparava os alimentos, buscava água nos rios, fazia cestos, objetos de cerâmica e redes, como podemos ver na seguinte citação (FREYRE, 1933).

Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós. Ela nos “deu, ainda, a rede em que se embalaria o sono ou a volúpia do brasileiro”.
Trecho de Casa-Grande & Senzala.

A índia tinha preferência pelo homem branco que além de mais “voraz” era considerado superior, acreditava que tendo filhos com eles, seus filhos seriam superiores. Os índios ofereciam suas mulheres aos colonizadores como forma de hospitalidade, o que facilitou a mistura de raças. Os colonos portugueses vinham para cá sem família e tendiam a misturar-se pelo casamento ou qualquer outra forma de união, primeiro com as índias, depois com as negras e assim o Brasil colônia foi sendo povoado, com a mistura de varias raças e formando famílias.

A criança indígena aprendia e desaprendia facilmente o que levou os jesuítas a aprender com elas a língua nativa e se utilizar delas para introduzir uma linguagem única, a tupi-guarani, para facilitar a comunicação com os índios (cada tribo tinha uma linguagem diferente), os padres jesuítas educaram os curumins à maneira dos Europeus e estes se tornaram cúmplices do invasor, afastando-se de sua cultura e muitas vezes sendo contrários a ela. Mas os padres não queriam destruir a raça indígena, apenas queriam domesticá-las e torná-las cristãs. Os curumins foram educados junto aos meninos órfãos que vieram de Lisboa, estudavam cantando a uma só voz, a tabuada ou trechos de leitura. No pátio dos colégios Jesuítas acontecia mistura das culturas. Isso se deu no inicio da colonização, considerado o “período Heróico” dos Jesuítas, depois os colégios se transformaram em armazéns. Antes da construção das estradas de ferro, as crianças dos engenhos estudavam em casa. Cedo os filhos de senhores de engenho e também alguns molequinhos mais inteligentes, começavam a ser educados pelos padres. Os senhores de engenho construíam junto à “casa grande” capelas, onde os padres ou capelões faziam pregações e educavam os meninos - pois as meninas só aprendiam técnicas domésticas. No Brasil se manteve o hábito das amas de leite, tarefas realizadas aqui inicialmente pelas índias, depois, pelas escravas negras, que cantavam canções de ninar, davam afeto e carinho, contavam histórias e amaciavam a linguagem infantil dos filhos e filhas do senhor de engenho.

As meninas casavam muito jovens, entre onze e quinze anos, na maioria das vezes com parentes, primos ou tios bem mais velhos que elas, tinham um filho atrás do outro, além de muito fracas, mal alimentadas, com uma vida de reclusão dentro da casa grande, de onde saiam apenas para rezar, para festas e danças, não tinham vocação nem preparo para serem mães, nem para administrar a casa, algumas morriam cedo, deixando seus filhos ao cuidado das escravas. Os meninos, mesmo contra a vontade da igreja, passavam os dias junto dos molequinhos tomando banho de rio, pegando passarinhos com arapucas, etc. Era uma vida (infância) que transitava entre vadiagem e regras aplicadas com rigidez, pelos patriarcas e pelos padres.

Além dos meninos pretos e pardos serem companheiros dos meninos brancos nas brincadeiras e nas aulas na casa grande ou nos colégios, muito negro usando cartola e casaca, ensinou meninos brancos a ler, sendo mais compreensivo e tolerante que os rígidos e autoritários professores brancos, que lhes aplicavam muitos castigos – bordoadas nos dedos, beliscões pelo corpo e puxões de orelha. As crianças no Brasil, quase não tiveram infância desde a primeira comunhão, já eram consideradas adultas, passando a se vestir como adultos; antes disso andavam quase pelados, como os molequinhos, que eles ganhavam como companheiros logo que começavam a andar, era um camarada de brinquedos, mas também um saco de pancadas dos meninos brancos que, descontavam neles os maus tratos que recebiam dos pais. O tratamento entre pais e filhos era cerimonioso, quando se referisse a eles deveria dizer: “senhor pai” e “senhora mãe”, até para fazer a barba precisava o filho de autorização do pai. Intimidade eles tinham com as amas de leite, mucamas e negrinhos.

MEU APRENDIZADO

A família no Brasil obedeceu ao regime patriarcal e polígamo, onde os senhores de engenho eram autoritários e perversos, tratavam sua familia e escravos com rigidez e cerimônia. As mulheres estendiam os maus tratos aos escravos e aos filhos e estes aos escravos, que eram sacos de pancada de todos. As mães, muito jovens eram frias e indiferentes com os filhos, terceirizando seus cuidados e afetos para as escravas que eram alem de amas de leite, muito carinhosas e afetuosas com as crianças. Os filhos das negras que trabalhavam na casa grande as acompanhavam e serviam de companheiros de brinquedos aos filhos e filhas de seus senhores, alguns mais inteligentes estudavam junto com seus ioiôs (como chamavam seus amigos/senhores) desde muito cedo, pois aos sete anos já estavam alfabetizados pelos capelões ou pelos padres que residiam no engenho, só após a construção das estradas de ferro iam continuar os estudos em colégios, nas cidades. Colégios estes para as elites. Todas as crianças na casa grande e na senzala aprendiam costumes e culturas dos negros através das historias que eram contadas pelas negras “contistas”, o que veio a se tornar uma profissão. Nas senzalas a reprodução era incentivada, como forma de aumentar o patrimônio de seus senhores. Muitas vezes os próprios senhores tratavam dessa tarefa de reprodução, tendo ao mesmo tempo filhos com as negras e com suas esposas, outras vezes, entregavam belas negrinhas (que podiam ser suas filhas) aos seus filhos para saciarem seus instintos de macho. Aqui houve como que a manutenção da linhagem, casando primos e às vezes, sobrinhas com tios, como forma de manter o patrimônio na família.

As famílias indígenas, ameríndias, tinham o costume de passar os hábitos costumes e ofícios de pai para filho, através da observação e da pratica. Enquanto os homens saiam para caçar e pescar, as mulheres cuidavam e educavam os filhos, além de se ocupar das tarefas de plantio, colheita, todos os afazeres domésticos e a confecção de utensílios e redes. Os meninos, na puberdade, passavam por provas que os iniciavam na fase adulta e as meninas davam continuidade as praticas das mulheres. Assim foi até a chegada dos colonizadores, que vinham sem família e começaram a se unir ou casar com as índias ou com as negras, se dando assim a miscigenação do povo brasileiro. Junto aos colonizadores veio a igreja, sempre preocupada que os colonizadores seguissem a fé católica. Os jesuítas trouxeram com eles a escola, sempre utilizada como forma de educar, dominar e impor suas regras.

CONCLUSÃO

Observei que em todas as épocas a criança/infância tem sido utilizada e manipulada como meio de transformações sociais, políticas, econômicas e religiosas. Nunca se buscou chamar à responsabilidade os adultos, para que estes alterassem seus hábitos, para dar exemplo e educar as crianças, sempre se usou as crianças como forma de mudar e alterar os hábitos dos adultos. A infância, frágil, desprotegida e manipulável, tem sido o grande agente das transformações e evoluções sociais, econômicas e políticas. Na própria legislação, no ECA (estatuto da Criança e do Adolescente), seus direitos aparecem como forma de conquistar o respeito dos adultos. Os direitos das crianças surgem novamente como meio legal de mudar as atitudes adultas.

As instituições familiares tentam transferir para a escola a educação dos seus filhos, as escolas cobram dos pais uma educação ou ao menos uma cumplicidade para que as crianças aprendam a respeitar regras, sejam obedientes ao sistema, com currículos disciplinares e serializados que visam à produção em massa de identidades que se repetem e se reproduzem. Um método que além de um poderoso meio de controle, nos diz o que fazer, como fazer e quando fazer. Todo esse poder entregue nas mãos das crianças esta se voltando pouco a pouco contra as regras e o sistema, através das escolas e dos pais, que nos dias de hoje, tentando mais uma vez fugir à responsabilidade de cuidar, educar, orientar e amar, estão se submetendo aos caprichos e ao consumismo dos filhos que, bombardeados pela mídia como próspero e confiável consumidor, tornam-se rebeldes poderosos. Isso está acontecendo, devido à omissão de uma familia que se encontra fragilizada de valores, respeito, cumplicidade e afeto. Valores que, fortalecidos, poderiam lhe dar poderes contra o poder econômico.

A igreja teve amplo papel no meio de todo este contexto. A família conjugal – com pai, mãe e filhos - importante e muito adequada para o sistema capitalista, mas foi por influencia da igreja que surgiu e se fortaleceu, dando origem ao sentimento de infância. Pela necessidade de dar disciplina e moralizar esta infância, trouxe-as para a escola, assumindo assim o papel de educadora, tornando as crianças obedientes e respeitosas. Com isso chamou a atenção dos governantes para o poder que a educação exercia sobre os infantes e suas famílias, o que os fez criar a escola pública e laica, tornando-a obrigatória.

Fica registrado pela história um processo que massifica a instituição escolar, instituição que separa a criança do grupo familiar adulto para colocá-la sob o comando estatal que inventa e constrói sujeitos produtivos para uma sociedade administrada por ele. Isso me remete ao videoclipe THE WALL, do Pink Floyd, no filme de mesmo titulo de Alan Parker. A escola como linha de montagem; os estudantes que perdem seus rostos, que viram bonecos, todos na mesma esteira, a esteira que leva a um imenso moedor de carne.

Texto escrito por Sandra Moura estudante do 1º semestre de pedagogia - FACED/UFRGS

Síntese das Apresentações de Grupo – Infância, Família e Escola nas visões de Philippe Áries e Gilberto Freire


Infância é um termo moderno, na época tratada por Áries na Europa, não havia nem palavras que se referissem diretamente às crianças.

O registro dos pequenos com precisão teve início em meados do século XVIII (1700). Junto com essa precisão veio a fotografia e as datas (registros). Tudo era feito na igreja e pelas classes mais ricas. Nessa época, muito se inventavam sobrenomes para quem não tinha, por vezes eram nomes de lugares.

As crianças não tinham noções de sua idade, mas a classificação era feira da seguinte forma:

1ª idade = até 7 anos (eram chamados de infantes/não falantes);

2ª idade = até 14 anos/adolescentes até 21/28 anos;

3ª idade = Juventude até 45 ou 50 anos.

Conforme os séculos foram passando, a preocupação se dirigia a uma determinada denominação: XVII – Juventude / XIX – Infância / XX – Adolescência.

- Crianças eram vistas como mini-adultos, usavam roupas desconfortáveis em quantidades exacerbadas (conforme modelos abaixo).

- Meninos usavam vestimentas de meninas quando pequenos, posteriormente isso mudaria.

Estando sempre com os adultos, os pequenos participavam de festas grosseiras, pois não havia um apego de família nuclear como atualmente, nem um cuidado com o que era melhor para a criança. Assim sendo, eles presenciavam piadas, palavras de baixo calão e bebedeiras nas festas adultas.

As brincadeiras na maioria das vezes eram simples e os brinquedos feitos de madeira sem muita especificidade.

Antigamente não havia escolas, havia professores (mestres) particulares e salas de estudos dedicadas aos meninos que tinham interesse a partir de certa idade. As meninas não estudavam, apenas eram preparadas para bordar e fazer atividades caseiras.

Já em Gilberto Freires, no capítulo Indígena, vêem-se crianças cujas idades são marcadas de 15 em 15 anos.

Desde cedo as crianças ficavam em casa com a mãe aprendendo a colher frutos e observando a fabricação de utensílios domésticos e outros instrumentos de uso do índio. Depois de crescidos, os meninos aprendiam a caçar.

O método de correção do indígena consistia em deixar o filho fora da oca por uma noite (na idade aproximada a 5 anos) para que um índio vestido de “entidade” batesse nele até quase matar. Assim usava-se essa entidade como ameaça posterior, caso o pequeno índio ousasse desobedecer.

Não havia escolas, mas a família (principalmente mãe e filho) era muito ligada, primordialmente quando se fala da higiene e do asseio que as índias tinham com seus filhos, sempre em meio a banhos e cuidados.

No quesito relação amorosa, havia um desprendimento do índio com a índia caso o amor acabasse.Um índio podia ter mais de uma esposa e não se importava se essas esposas tivessem outros parceiros. Havia também a questão dos portugueses, que se encantavam com as índias bonitas e limpinhas.

No capítulo dos negros, Gilberto trata a infância de negros e brancos em convívio próximo, mesmo vivendo separadamente, negros na senzala e brancos na Casa Grande (com exceção dos negros que viviam dentro da Casa Grande como empregados e amas de leite).

As crianças dos brancos eram criadas com fraldões até 10 anos de idade. Eram instruídos em casa ou em colégios da paróquia. Meninos estudavam e meninas ficavam em casa aprendendo tarefas do lar.

Os meninos filhos de senhores de engenho, muitas vezes eram amamentados por negras da senzala e posteriormente ganhavam o nome de “meninos-diabo”, pois pegavam um negrinho da senzala para brincar, humilhar e agüentar suas malcriações, quando não era para iniciar sua vida sexual. Meninas também eram amamentadas pelas negras, mas tinham certo recato quando cresciam.

A família da Casa Grande era “aparentemente” feliz, mas o senhor de engenho, em meio a sua ociosidade, deitava com as negrinhas da senzala, que na maioria das vezes eram mais atraentes que suas esposas. Assim se disseminou a mestiçagem e a sífilis entre brancos e negros, além da violência das sinhás com as negras por inveja ou ciúmes dos maridos.

Na senzala havia menos fartura e mais afeto. Negros casavam-se e tinham filhos por amor, cuidavam destes com apresso, o mesmo apresso que as amas de leite (negras elegantes e bem vestidas que viviam na Casa Grande) dedicavam aos filhos de seus patrões, que por sua vez, também criavam afeto pelas negras.

(Texto criado por Ellen Fanfa Anacleto, estudante do 1º semestre do curso de Pedagogia)